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Notícias

Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio

Domingo, 8 de maio de 2011 - 22h14min

<br>Fonte: Ministério da Educação e Cultura

Correio Braziliense - 05/05/2011 - Brasília/DF

Escolas de ensino médio vão ter mais autonomia para fazer projetos que atraiam os alunos - Ana Pompeu

As escolas de ensino médio vão ter mais autonomia para atender ao público de sua comunidade e vão atuar em quatro eixos básicos: trabalho, cultura, ciência e tecnologia. Essas definições foram tomadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que aprovou novas diretrizes curriculares para o ensino médio na última quarta-feira (4/5). A resolução vai dar liberdade para que as escolas montem programas diferenciados, projetos mais interessantes e, assim, complementar a grade curricular dos estudantes. A intenção é que as novas diretrizes possibilitem diversidade de projetos que atraiam os jovens para a salas de aula. A última revisão dessas diretrizes foi feita em 1998, há 13 anos. O ensino médio é a etapa de ensino com pior desempenho no Brasil e, com as mudanças, cada escola vai poder trabalhar os conteúdos da forma que acreditar sem mais interessante, usando de música, teatro ou esportes, por exemplo. Para que isso seja feito, abriu-se também a possibilidade de ampliação da carga horária caso haja interesse da escola.

Essa flexibilização está sendo estudada há oito anos. Mesmo assim, ainda não chegou ao nível das escolas, apesar das secretarias estaduais terem aprovado a medida. O professor do Centro de Ensino Médio Asa Norte (Cean) Daniel Louzada acredita que esse processo ainda pode se alongar por alguns anos. “Ainda não está muito claro pra gente onde é que essas diretrizes vão se encaixar no nosso dia a dia. Muitos colegas ainda não conseguiram compreender de fato as mudanças de 1998”, compara.

Para Louzada, entretanto, a resolução pode acarretar consequências positivas para os estudantes. “De acordo com o que eu li até agora, nós vamos poder fazer projetos à distância, e aí os alunos vão ter uma gama maior de possibilidades. Até este momento nós estamos muito amarrados às iniciativas dos professores. É difícil que um projeto ou que um aluno com algum interesse específico tenha espaço sem um professor por trás”, afirma o professor. Entre os alunos, o desconhecimento é ainda maior, mas eles sabem que são necessárias mudanças para tornar o aprendizado mais interessante. Karoline Almeida Noleto, 16 anos, cursa o 1° ano e não se dá bem com a matemática. “Acho que eu tenho um bloqueio mesmo, mas se as aulas fossem mais dinâmicas, menos sérias, talvez ajudasse um pouco”, arrisca. Outra sugestão da estudante é fazer feiras ou mini-cursos sobre as profissões existentes. “Seria muito mais interessante, porque a gente já se prepararia para o futuro. Teatro e música também seriam um bom jeito de envolver as pessoas com a escola”.

A opinião é compartilhada por Bárbara Ribeiro, 15. “Hoje, tem muita gente que vem pra escola porque é obrigado pelos pais. Falta algo que te chame pra estudar. Oficinas chamam mais atenção dos alunos porque são aulas diferentes. Quando o professor te mostra como aquilo funciona, você aprende de verdade”, afirma. Já Andrius de Souza, 18, que cursa o 3° ano, acredita tanto que o ensino deva mudar que entrou para um projeto da Universidade de Brasília (UnB) que trabalha com as matérias básicas da engenharia de uma forma mais lúdica. “A gente faz experimentos, ensina de um jeito mais simples e interessante. Todo mundo aprende. É impressionante”. Para ele, o que falta é a contextualização do conteúdo, para que o aluno assimile realmente o que está sendo transmitido e não apenas decore a matéria para a próxima prova. “Se for ser assim, acho que vai ser bem melhor e a gente vai, finalmente, aprender de verdade”, se anima.

 

Jornal Folha de São Paulo - 05/05/2011 - São Paulo/SP

Conselho torna currículo do ensino médio mais flexível - Angela Pinho de Brasília

 
De acordo com seu perfil, escolas poderão enfatizar algumas disciplinas. No ensino noturno, 20% das aulas poderão ser ministradas a distância e curso poderá ter mais que os atuais três anos .
 
O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou ontem novas diretrizes para o ensino médio que incentivam as escolas a elaborar currículos mais flexíveis e adaptados ao contexto dos estudantes. A ideia é que cada colégio organize o ensino em torno de quatro grandes áreas: trabalho, tecnologia, ciência e cultura. A partir delas, o currículo poderia enfatizar algumas disciplinas. Uma escola que fica em uma localidade industrial, por exemplo, poderia enfatizar tecnologia e trabalho e, dessa forma, dar mais espaço a física e química na grade. Não se pode, porém, deixar as outras disciplinas de lado. Ou seja: todas as escolas continuam tendo a obrigação de ensinar matemática, português, ciências, filosofia e sociologia. A diferença é que, com as novas diretrizes, elas ganham um incentivo para dosar a grade horária como preferirem. A autonomia das escolas em relação à organização da carga  horária já é permitida hoje pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996.

O CNE espera que as diretrizes sejam mais um incentivo. As diretrizes também mudam o ensino médio noturno, onde estudam cerca de 40% dos alunos. Elas permitem que até 20% das aulas sejam a distância e que o curso dure mais do que os atuais três anos. O documento aprovado ontem no conselho ainda tem que ser homologado pelo ministro Fernando Haddad (Educação). Segundo José Fernandes de Lima, relator do tema no CNE, há grandes chances de isso acontecer, porque o texto foi construído com consultas ao Ministério da Educação. Já a pasta diz que o ministro ainda vai analisar o documento. O próprio MEC tem um programa que incentiva financeiramente 357 colégios com propostas curriculares inovadoras e que trabalha com as quatro grandes áreas. Carlos Roberto Jamil Cury, professor da PUC-MG e ex-presidente do CNE, elogia a decisão do   conselho, mas ressalva que ela só explicita uma possibilidade que já estava prevista na legislação.

O que aconteceu, diz ele, é que os vestibulares e, mais recentemente, o Enem acabaram pautando mais o ensino médio do que as diretrizes. Ou seja, pouco vai adiantar mudar o currículo se os processos seletivos não forem modificados. Em relação ao ensino noturno, Cury afirma que a novidade tem o mérito de incluir o aluno no mundo das novas tecnologias, mas, por outro lado, manifestou o receio de que isso seja feito sem o suporte necessário, tanto de equipamentos como de professores, o que prejudicaria a qualidade do ensino. Para Carlos Eduardo Ferraço, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, é interessante valorizar o contexto do aluno no projeto pedagógico da escola, mas isso não deve restringir o que o aluno aprende. 

 

Diário Catarinense - 05/05/2011 - Floriánópolis/SC

CNE aprova as mudanças - DAYANE NUNES 


Grade curricular terá novas disciplinas e escolas ganham autonomia para priorizar áreas de interesse. As disciplinas de ciência, tecnologia, cultura e trabalho vão fazer parte do novo currículo do ensino médio. As mudanças foram aprovadas, ontem, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e dão mais autonomia às escolas públicas e privadas na elaboração da grade curricular. O ministro da Educação, Fernando Haddad, precisa homologar a proposta para que as mudanças entrem em vigor. A proposta do CNE é tornar a grade curricular mais atrativa aos jovens e combater a desistência dos alunos do ensino médio. Cada escola vai poder escolher entre quatro áreas de atuação para focar o seu currículo. De acordo com as novas regras, poderá aumentar ou diminuir o número de horas-aula das disciplinas fundamentais, como português ou matemática. Uma escola de uma  região industrial, por exemplo, pode focar seu currículo na área de tecnologia e reduzir a carga horária de disciplinas de física e química.

No ensino médio, a atual carga mínima de estudo é de 2,4 mil horas, divididas em dois conjuntos de disciplinas: a base comum, com as matérias mais tradicionais, como português e matemática, e a base diversificada, que traz os conteúdos eletivos, escolhidos diretamente pela escola. O aluno precisa ter sua carga horária dividida em 75% das matérias tradicionais e outros 25% da base diversificada. O CNE também aprovou que a escola pode trabalhar até 20% de conteúdo à distância. Além disso, os estabelecimentos terão autonomia para aumentar o período letivo no turno da noite, dando mais tempo aos alunos para concluir os estudos. O texto aprovado na tarde  de ontem pelo CNE altera as diretrizes brasileiras para o ensino médio, em vigor desde 1998. A proposta foi estudada por oito meses pelo conselho.

Secretário avalia como positivas as medidas - Na avaliação do secretário estadual de Educação de Santa Catarina, Marco Tebaldi, as mudanças são positivas e o aluno será o grande beneficiado. Ele explica que a alteração aprovada ontem pelo CNE é conceitual e as escolas não vão precisar incluir novas disciplinas na grade curricular. – É importante priorizar no ensino médio a relação com o trabalho para iniciá-lo no mercado de trabalho. Há muitas escolas catarinenses que já têm essa percepção, sendo que há casos em que alunos têm até uniforme diferenciado – diz o secretário. 

 

Fonte: Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Diário Catarinense

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